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A MULHER NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

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6 DAS INVENÇÕES MAIS SURPREENDENTES DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

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Há quase 100 anos, no dia 11 de novembro de 1918, a Primeira Guerra Mundial chegava ao fim. O período de quatro longos anos de batalhas, mortes, fome e doença que assolou a Europa finalmente terminava, deixando para trás cicatrizes profundas no mundo e uma herança de terror para a população que a testemunhou.

No entanto, a guerra também gerou inovações nas mais diversas áreas. A necessidade impulsionou a criatividade das pessoas e fez surgir alguns objetos, produtos e dispositivos que permanecem em uso até hoje.  Mas antes de saber quais são eles, vamos para um breve histórico da Primeira Guerra Mundial.

Breve histórico

Geavilo Princip (à esquerda), o assassino do arquiduque Franz Ferdinand (à direita)

Uma série de eventos devido a uma forte competição imperial entre alguns países levou à Primeira Guerra Mundial, mas aquele que formalmente teria sido o responsável pelo início, o estopim, foi o assassinato do arquiduque Franz Ferdinandda Áustria-Hungria (e sua esposa Sophie) em Sarajevo, no dia 28 de junho de 1914 — cometido por Gravilo Princip.

Semanas depois dessa ocorrência, a guerra teve realmente seu início com a invasão austro-húngara da Sérvia, que foi seguida pela invasão alemã da Bélgica, Luxemburgo e França, além de um ataque russo contra a Alemanha. Mas, logo, surgiu um impasse da Frente Ocidental (que continha uma linha de quilômetros de trincheiras), entre a Alemanha, ao leste e os aliados no oeste.

De acordo com um artigo de Simone Scully, do Nautilus, os soldados se posicionavam nas trincheiras, mas era quase impossível para qualquer um dos lados fazer qualquer progresso significativo contra o outro.

Aqueles que tentavam atravessar a curta distância entre a Frente Ocidental e as linhas opostas, local que poderia ser chamado de “terra de ninguém”, eram rapidamente mortos. Toda essa situação forçou as tropas a desenvolver novas tecnologias para superá-la.

Segundo o historiador do Museu da Guerra Imperial de Londres contou ao Nautilus, muitas inovações bem conhecidas que nós associamos com as guerras de hoje foram inventadas para tentar ganhar uma vantagem sobre um inimigo entrincheirado.

Entre os exemplos estão o desenvolvimento do tanque de guerra, do gás venenoso e da fotografia aérea. Mas não foram apenas esses itens que surgiram da necessidade da época. Confira abaixo seis dos exemplos mais surpreendentes das inovações técnicas que vieram da Primeira Guerra Mundial:

1 – Fertilizantes industriais

Os fertilizantes industriais surgiram na época da Primeira Guerra, mas não para a função de fazer germinar algo e sim para a fabricação de explosivos.

De acordo com o artigo do Nautilus, pouco antes da guerra, os químicos alemães Fritz Haber e Carl Bosch desenvolveram um processo para converter o nitrogênio atmosférico em uma forma biologicamente disponível (amônia), utilizando em alta pressão e temperatura. Isso permitiu que a Alemanha produzisse nitratos artificiais para criar explosivos, como o TNT.

Essa produção deu mais autonomia para os alemães, pois, antes, os nitratos vinham de depósitos de guano chilenos (guano é o nome dado às fezes de aves e morcegos que concentram uma grande quantidade de nitrogênio), que produziam uma oferta limitada.

Então, quando a guerra estourou, a Alemanha tinha apenas nitratos naturais suficientes para durar cerca de seis meses. Mas, com o novo processo químico, eles puderam criar explosivos por muito mais tempo.

E foi esse mesmo processo que acabou sendo adotado para a fabricação de fertilizantes a base de nitrato, que sustentam a agricultura industrial em grande escala hoje em dia.

2 – Drones

Atualmente, mais do que nunca, os drones estão por aí pelos ares para as mais diversas funções. Mas, eles não surgiram apenas agora, sendo uma das invenções incríveis da Primeira Guerra Mundial.

Nesse período, além do poder de fogo, as potências dos motores aumentaram, assim como as velocidades de altitude e cargas de bombas. Foi quando também surgiu a ideia do primeiro objeto voador não tripulado.

Naquela época, o inventor norte-americano Charles Kettering projetou uma “bomba voadora” não tripulada, que poderia atingir um alvo a uma distância de 65 quilômetros. Este foi provavelmente o primeiro modelo de drone, projetado para decolar, voar até certa distância e depois parar e mergulhar no chão.

Porém, o primeiro voo de teste, que aconteceu no dia 2 de Outubro de 1918, falhou porque a aeronave subiu muito, parou e caiu. Os modelos seguintes não foram considerados muito confiáveis para serem usados, mas, de qualquer forma, a ideia do drone já estava consolidada.

3 – Controle de Tráfego Aéreo

O sistema de rádio comunicador já havia feito sua estreia antes da guerra, mas grandes progressos foram feitos durante ela, pois era uma ferramenta de extrema importância para as comunicações militares da aviação.

Segundo o Nautilus, o Exército dos Estados Unidos instalou os primeiros rádios bidirecionais em aviões antes mesmo do envolvimento do país na guerra. Em 1916, os técnicos poderiam enviar um sinal de rádio a uma distância de 225 quilômetros e mensagens telegráficas de rádio podiam ser trocadas entre aviões em voo.

No final daquele mesmo ano, começaram os projetos dos capacetes equipados com microfones e fones embutidos. No ano seguinte, foi a primeira vez que a voz de uma pessoa foi transmitida por rádio a partir de um avião voando até um controlador de voo em terra firme. Esse sistema foi essencial para as batalhas, mas também se tornou a base para a tecnologia atual de tráfego aéreo.

4 – Raios-X portátil

Os atendimentos de serviços médicos nos campos de batalha não eram nada fáceis na Primeira Guerra Mundial. Em 1914 (o primeiro ano dessa guerra) foi marcado por extremas dificuldades nessa área, mas os exércitos rapidamente trataram de desenvolver sistemas sofisticados para resolver os mais variados problemas de lesões durante o período com algumas inovações.

Umas delas foi a tala de Thomas, artefato utilizado para imobilizar os membros (geralmente pernas quebradas), que teve um enorme impacto sobre as taxas de sobrevivência em uma época antes dos antibióticos. Antes disso, a porcentagem de mortes decorrentes de complicações de fraturas de fêmur (por exemplo) era muito alta.

Além disso, bancos de sangue foram desenvolvidos, graças à utilização de citrato de sódio para evitar que o sangue coagulasse e se tornasse inutilizável, permitindo as transfusões em pleno campo de batalha. Mais uma inovação que salvou muitas vidas.

No entanto, talvez uma das inovações médicas mais importantes da época foi a capacidade de poder levar as ferramentas de diagnóstico para a linha de frente. Mas tinha um equipamento que era muito grande e delicado para ser transportado: o aparelho de raio-X.

Pensando em tornar o transporte e uso mais prático para o serviço médico dos campos de batalha, a cientista polonesa Marie Curie (que morava em Paris) levantou fundos na França para desenvolver pequenas máquinas de raios-X móveis. Os equipamentos foram então instalados em carros e caminhões do exército francês.

Ela mesma dirigiu alguns desses veículos para levar até as linhas de combate, contando com a ajuda de sua filha Irene, de 17 anos, e trabalhando em estações de remoção de vítimas com o uso dos aparelhos de raio-X para localizar fraturas, balas e estilhaços.

5 – Absorventes higiênicos

Você sabia que os absorventes higiênicos femininos não foram inventados exatamente para a função de ajudar as mulheres naqueles dias do mês? A princípio, o item foi criado para estancar o sangue de grandes ferimentos de bala durante a Primeira Guerra Mundial.

Segundo conta a história, em 1914, Ernst Mahler, o chefe de uma pequena empresa americana chamada Kimberly-Clark, visitou fábricas de papel e celulose na Alemanha, Áustria e Escandinávia, observando um novo material de celulose chamado “Cellucotton”.

O material impressionou Ernst, pois era cerca de cinco vezes mais absorvente que o algodão e, quando produzido em massa, era metade do preço. Ao retornar para os EUA, Mahler registrou o material e, quando os Estados Unidos entraram na guerra em 1917, a Kimberly-Clark começou a produzir os curativos cirúrgicos com ele.

Porém, os curativos chamaram a atenção das enfermeiras da Cruz Vermelha, que começaram a usá-los para a própria higiene pessoal e o costume se tornou conhecido.

Então, quando a guerra acabou, a Kimberly-Clark aproveitou o excedente de ataduras dos militares e da Cruz Vermelha para criar os primeiros absorventes higiênicos comerciais com o nome de Kotex. A ideia foi muito inovadora em uma época em que as mulheres usavam pedaços de tecidos para as suas necessidades higiênicas naquela época do mês.

6 – Lâmpadas ultravioleta

A fome e a reclusão dos alemães durante a guerra levou a um aumento bastante significativo dos casos de raquitismo, uma doença causada pela falta de vitamina D, cálcio ou fosfato que leva ao enfraquecimento dos ossos.

No inverno de 1918, metade das crianças de Berlim estava sofrendo dessa condição, apresentando também muita fraqueza e apatia. Na época, a causa da doença não era conhecida, mas um médico de Berlim chamado Kurt Huldschinsky percebeu que as crianças também estavam muito pálidas, então ele resolveu realizar um experimento com algumas delas.

Para isso, ele realizou várias sessões em que colocou quatro crianças sob a luz de lâmpadas de mercúrio de quartzo que emitiam luz ultravioleta.

Então, vieram os resultados: o tratamento funcionou, pois os ossos das crianças se tornaram mais fortes. Isso porque a luz ultravioleta faz com que a pele produza a vitamina D, que é necessária tanto para a saúde dos ossos, como para fatores de resposta imunológica e até para o humor.

*Publicado em 12/11/2014

Handebol

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Pós-graduação lato sensu em Jornalismo (Faculdade Cásper Líbero, 2014)
Graduação em Educação Física (Complexo Educacional FMU, 2007)

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Um esporte onde o maior espetáculo é a grande quantidade de gols em uma só partida. O Handebolé um jogo rápido com características de outros esportes como o basquete, onde joga-se com as mãos, porém ao invés de fazer cestas, os jogadores concretizam os lances em gols, aspecto semelhante ao futebol.

Os relatos de sua origem são diversos. Um dos primeiros aconteceu na Grécia Antiga no qual uma bola com aproximadamente o tamanho de uma maça era utilizada. Outro esporte parecido foi desenvolvido pelos romanos. Em seguida foram os franceses durante o século XVI. Quando chegou no ano de 1948, um jogo chamado Haaddbold surgiu pelo criador Holger Nielsen no Instituto de Ortup na Dinamarca, entretanto no mesmo período há indícios entre os tchecos, irlandeses e uruguaios. Com os elementos atuais, a modalidade foi formatada na Alemanha. Hirschmann, um alemão secretário da Federação Internacional de Futebol, escolheu o campo para a prática da modalidade, em 1912.

A modalidade foi uma adequação do Torball, feita pelo professor Berline Max Heiser, entre os anos 1915 e 1918. Começou a propagar pelos países da Áustria e Suíça com o também professor Karl Schelenz, que rebatizou o esporte de Handball em 1919. Mas ainda assim, o time era composto com 11 jogadores, tal qual no futebol. Um ano mais tarde tornou-se uma modalidade esportiva. No ano de 1925, os austríacos estreitaram a disputa entre países vencendo os alemães.

Os jogos de handebol começaram a ser praticados em ambientes fechados com os suecos, por volta de 1924. Com temperaturas muito baixas, viram-se obrigados a realizar essa modificação, além de diminuir o número de jogadores para sete em cada equipe.

Entrou para os Jogos Olímpicos de Berlim 1936, contando com a participação de seis países. Dois anos depois, ainda na Alemanha, o primeiro campeonato mundial ocorreu sendo oito jogadores na categoria campo e quatro no ginásio. Mais tarde, criaram a Federação Internacional de Handebol, que organizou os primeiros torneios mundiais de salão, em 1954 entre os homens e 1957 das mulheres. Esquecendo de vez a prática de campo a partir do mundial de 1966. A Olimpíada contou com atletas brasileiros apenas em 1992, na cidade de Barcelona.

A quadra de Handebol possui 40 metros de comprimento por 20 de largura, com dois gols de 3 metros por 2 de altura. Apenas os goleiros podem permanecer no espaço demarcado de 6 metros próximo ao gol e tocar a bola com os pés.

O jogo é dividido em dois períodos de 30 minutos com 10 de intervalo. São 16 competidores à disposição do técnico que deles, sete ficam em quadra.

O tamanho da bola difere entre as categorias. Na masculina seu peso varia de 425 a 475 gramas, com diâmetro de 58 a 60 centímetros. Já no feminino são de 325 a 375 gramas, medindo de 54 a 56 centímetros.

Os jogadores devem andar quicando a bola, podendo segurá-la em um tempo máximo de três segundos.

O descumprimento das regras acarreta em faltas podendo ser:

  • Tiro livre de 7 metros: Quando a falta acontece dentro da área, o jogador arremessa a bola ao gol com apenas o goleiro para intercepta-lo.
  • Tiro de 9 metros: Caso a infração ocorra próximo da área de 9 metros. Utiliza-se barreiras de jogadores adversários para dificultar o arremesso.

Referências Bibliográficas:
http://www.brasilhandebol.com.br/noticias_detalhes.asp?id=27174
http://www.brasil2016.gov.br/pt-br/olimpiadas/modalidades/handebol
https://www.cob.org.br/pt/Esportes/handebol

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Por que um imperador da Etiópia foi adorado como deus na Jamaica – influenciando até Bob Marley iWonder BBC

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Bob Marley

Quando se fala em rastafáris, provavelmente a primeira imagem que vem à cabeça de muitas pessoas é a do rei do reggae Bob Marley e seus rastas icônicos.

Mas além do famoso artista, há outro homem ainda mais importante no coração deste movimento – Ras Tafari. Esse foi o nome do último imperador da Etiópia, nascido em 23 de julho de 1892, mas ele adotou o nome real de Haile Selassie ao ser coroado.

Para os rastafáris, ele é Deus (Jah) encarnado, o messias redentor.

Mas como um imperador da Etiópia, cuja capital está situada a quase 13 mil quilômetros de Kingston, se tornou adorado na Jamaica?

O vínculo entre os dois, na verdade, está relacionado a um grupo de jamaicanos pobres que acreditavam que a coroação de Ras Tafari era o cumprimento de uma profecia e que ele era seu redentor, o messias: o “Rei dos reis, Senhor dos senhores”.

Eles acreditavam que seriam libertados pelo imperador, que os tiraria da pobreza no Caribe e os levaria à África, a terra dos seus antepassados e um centro espiritual para os jamaicanos.

Quem era Ras Tafari?

Haile Selassie

Tafari era filho de um colaborador do imperador Menelik 2º, um dos governantes mais importantes da história da Etiópia, e casou-se com uma de suas filhas, Wayzaro Menen.

Desde a infância, sua inteligência chamou a atenção do imperador, que o ajudou a seguir carreira política. Quando a filha de Menelik 2º, a imperatriz Zauditu, morreu em 1930, seu protegido foi coroado imperador.

A coroação de Haile Selassie foi um evento esplendido e contou com a presença de autoridades do mundo todo.

Na época, o jornal The New York Times especulou que as celebrações haviam custado mais de US$ 3 milhões (R$ 9,5 milhões, em valores atuais). A revista Time dedicou a capa ao novo imperador, que logo se transformou em um fenômeno global.

Pouco depois da coroação, Selassie encomendou a primeira constituição escrita da Etiópia, que restringia em grande medida os poderes do parlamento.

Na prática, ele era o governo da Etiópia.

Segundo a constituição, a sucessão ao trono se restringia somente aos seus descendentes, e a pessoa do imperador era “sagrada, sua dignidade, inviolável e seu poder, indiscutível”.

Mas, na Jamaica, Selassie estava se convertendo em algo mais do que um poderoso imperador.

A profecia de Marcus Garvey

Marcus Garvey

“Olhem para a África, onde um rei negro vai ser coroado, anunciando que o dia da libertação estará próximo”. Essa é a profecia que deu início a toda história, e foi feita por Marcus Garvey.

Ele era um ativista jamaicano que lutou pela mudança política e social em uma ilha que havia sido um centro importante durante o período da escravidão.

Depois da abolição, em 1833, a vida não melhorou muito para os antigos escravos, nem para seus filhos ou para as gerações seguintes.

Ainda não está claro se o “rei negro” a quem Garvey se referia era uma pessoa real, mas o mais provável é que se tratasse de uma figura simbólica.

Mas, quando as notícias da coroação de Haile Selassie em 1930 chegaram à Jamaica, muitos dos seguidores de Garvey fizeram uma associação que lhes parecia lógica: Ras Tafari era rei, e, portanto, o dia da libertação estaria próximo. Isso significava que eles deveriam se preparar para um êxodo para a África.

Apesar de Marcus Garvey nunca ter sido um rastafári, ele é considerado um dos profetas do movimento, e suas ideias formaram a filosofia rastafári.

“O ‘garveyismo’ se converteu em um tipo de nacionalismo militante que deu aos negros um sentido de identidade com o conjunto da África, numa época em que a independência estava em evidência”, afirma Jabob Bauman, em uma publicação da Universidade do Estado de Washington, nos EUA.

Atualmente, as crenças dos rastafáris são muito diferentes.

Enquanto os primeiros seguidores da religião procuravam um retorno à África, declaravam que seu único deus era Haile Selassie e que a Etiópia era o verdadeiro Sião (sinônimo de terra de Israel, ou terra prometida), hoje muitos dão mais importância a um retorno “espiritual”.

Segundo o autor da Enciclopédia Global das Religiões, Stephen Glazier, o movimento rastafári se converteu em parte a um estilo de vida, mais que uma religião, e as práticas também variam muito. Entre elas, se destacam o consumo ritual da maconha (ganja) e o reggae.

Visita à Jamaica

Selassie

Poucos anos após a coroação de Haile Selassie, a Etiópia se envolveu em uma guerra terrível. Em 1935, o líder italiano Benito Mussolini invadiu o país e Selassie partiu para o exílio.

Ele ficou cinco anos fora do país e somente em 1941 foi restituído como imperador, com a ajuda da Grã-Bretanha.

Em 21 de abril de 1966, ele finalmente visitou a Jamaica – e mesmo 36 anos depois de sua coroação, o entusiasmo dos rastafáris seguia intacto, com uma nova geração de adeptos que cultivavam a ideia de um êxodo para a o continente africano.

Selassie foi tomado pela recepção eufórica, e não fez nada para dispersar crenças sobre sua suposta condição divina. Garvey já estava morto, e suas críticas a Selassie por deixar o país em tempos de guerra já haviam sido esquecidas na Jamaica.

Mas no resto do mundo o julgamento sobre ele não foi unânime – embora Selassie quisesse projetar uma imagem de um imperador progressista, ele também enfrentou acusações de ser um ditador ganancioso.

Entre a multidão que apareceu para honrar e receber seu “Redentor”, estava a esposa de um músico jamaicano de 21 anos, que tinha acabado de formar uma banda chamada The Wailers.

Seu nome era Robert Nesta Marley.

O rasta mais influente

Rastafaris

Bob Marley foi o rastafári mais influente da história.

Ele nunca se classificou como profeta, embora muitas suas canções fossem consideradas com um caráter profético, e também nunca foi um líder, embora os seguidores o tratassem como tal.

Dois dos discos mais importantes da carreira de Marley – Catch a Fire, de 1973, e Natty Dread, de 1975, foram sucesso de vendas e estavam cheios de símbolos e motivos do rastafarianismo.

Na época do lançamento de Rastaman Vibration, em 1976, havia rastafáris em quase todas as cidades britânicas e em muitas partes dos Estados Unidos.

Jovens negros usavam o cabelo com os mesmos dreadlocks de Marley e vestiam roupas com as cores da bandeira etíope: verde, amarelo e vermelho.

Enquanto seus pais eram na maioria cristãos, jovens negros em cidades como Londres começaram a ser atraídos por uma teologia diferente, que incorporava a crítica política.

‘Mentiras de Babilônia’

SelassieDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionSelassie foi uma figura controversa – era venerado, mas também criticado por “ganância”

Enquanto isso, as coisas se complicavam para Selassie na Etiópia. Em 1973, uma forte crise de fome matou cerca de 200 mil etíopes.

Um ano depois, um grupo de militares do Exército com uma agenda marxista chamado Derg destronou o imperador após um golpe militar. Ele morreu em 1975, doente e encarcerado.

Sua morte dele foi descrita por seus seguidores como uma “desaparição”, já que eles se negavam a acreditar que Selassie havia morrido.

E quando se falava sobre ele, a comunidade rastafári usava frequentemente a frase “mentiras de Babilônia”. Muitos acreditavam que a estrutura dominada por brancos – chamada por eles de “Babilônia”, havia espalhado uma mentira para tentar debilitar o crescente movimento rastafári.

Outros simplesmente rechaçaram a notícia afirmando que Jah, o nome rastafári para Deus, havia apenas ocupado temporariamente o corpo de Selassie. A morte “corporal” do imperador era tida como um sinal de que Jah não era apenas um ser humano, mas também um ente espiritual.

Uma terceira interpretação – e a mais aceita entre os rastafáris – se refere ao conceitos sobre a unidade essencial de toda a humanidade. Segundo esse princípio, ainda que habitemos corpos distintos, todos estamos unidos espiritualmente.

Pode ser que Haile Selassie já tivesse partido, mas vê-lo como um único deus é uma interpretação errônea do significado do rastafári: seu espírito está em todos nós e não pode ser extinto.

Segundo eles, desde que nascemos, somos todos corpos efêmeros, mas nossas almas seguem vivendo.

fonte: http://www.bbc.com/portuguese/geral-39596814

Decreto tira nome de Sarney de escolas no Maranhão

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“Ex-presidente e outros políticos maranhenses que estão vivos deixaram de nomear estabelecimentos estaduais de ensino

SÃO LUÍS – Sarney, Murad, Castelo e Lobão são nomes comuns em prédios públicos de escolas e outras áreas do Estado do Maranhão, porém essa realidade vai mudar. Em 2015, ao assumir o governo, Flávio Dino (PCdoB) proibiu que o patrimônio estadual receba o ‘batismo’ de pessoas vivas e também vetou que os bens públicos sejam nomeados em homenagem a pessoas responsabilizadas por violações aos Direitos Humanos durante o regime militar. Esta foi uma das primeiras medidas anunciadas pelo governador em 1º de janeiro do ano passado.

Um ano depois, Flávio Dino por meio do decreto nº 31.4690, assinado no dia 4 de janeiro e publicado no Diário Oficial do Estado de 14 de janeiro, trocou as denominações de 37 estabelecimentos da rede estadual de ensino que homenageavam pessoas vivas e deu a eles nomes de personalidades que já morreram – professores, religiosos, políticos (como os ex-deputados João Evangelista e Júlio Monteles) e até mesmo o cientista alemão Albert Einstein.

O campeão em perda de homenagens foi o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP), que exerceu também os cargos de governador do Maranhão, deputado federal, senador da República e presidente do Congresso Nacional, sendo membro das academias de letras do Maranhão (AML) e do Brasil (ABL). No total, o ex-presidente do Senado perdeu sete homenagens em diferentes municípios maranhenses.
(…)”

Sobre este documento

Título
Decreto tira nome de Sarney de escolas no Maranhão
Tipo de documento
Jornal Eletrônico
Palavras-chave

Século XXI Legislação Maranhão

Origem
Créditos

Diego Emir

Canto das três raças

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“Ninguém ouviu
Um soluçar de dor
No canto do Brasil

Um lamento triste
Sempre ecoou
Desde que o índio guerreiro
Foi pro cativeiro
E de lá cantou

Negro entoou
Um canto de revolta pelos ares
No Quilombo dos Palmares
Onde se refugiou

Fora a luta dos Inconfidentes
Pela quebra das correntes
Nada adiantou

E de guerra em paz
De paz em guerra
Todo o povo dessa terra
Quando pode cantar
Canta de dor

ô, ô, ô, ô, ô, ô
ô, ô, ô, ô, ô, ô

ô, ô, ô, ô, ô, ô
ô, ô, ô, ô, ô, ô

E ecoa noite e dia
É ensurdecedor
Ai, mas que agonia
O canto do trabalhador

Esse canto que devia
Ser um canto de alegria
Soa apenas
Como um soluçar de dor”

Sobre este documento

Título
Canto das três raças
Tipo de documento
Letra de Música
Palavras-chave

Brasil História da MúsicaSéculo XX

Origem

Canto das três raças, Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro. Letra disponível em: https://www.vagalume.com.br/clara-nunes/canto-das-tres-racas.html

Créditos

Composição: Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro
Intérprete: Clara Nunes

A Sacralização da Política Texto acadêmico

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“À introdução do cinismo e da mentira como recursos de dominação política, cingem-se num mesmo plano a censura, a delação, a tortura. Projeta-se para a sociedade, através dos meios de comunicação, uma só imagem de si mesma, imersa num mundo de ficção, a competir com o mundo de sua realidade. […] Vargas, em inúmeras oportunidades, chamou a atenção para o papel da imprensa, em particular, e dos meios de comunicação em geral como dispositivos de controle e mudança da opinião pública. O ofício do jornalismo era por ele chamado de ‘sacerdócio cívico’. Atribuía aos jornalistas grande importância na formação da opinião pública ‘… para que ela seja, de corpo e alma, um só pensamento brasileiro’. Por sua vez, Francisco Campos não deixou escapar seu fascínio pelos meios de comunicação como dispositivos de estímulo e captura dos desejos sociais, tomando mesmo o nazismo como seu paradigma:

‘É possível hoje, com effeito, e é o que acontece, transformar a tranquilla opinião pública do século passado em um estado de delírio ou de allucinação collectiva, mediante os instrumentos de propagação, de intensificação e de contágio de emoções, tornados possíveis precisamente graças ao progresso que nos deu a imprensa de grande tiragem, a radiofusão, o cinema, os recentes processos de comunicação que conferem ao homem um dom approximado ao da ubiquidade ’.”

Glossário

Ubiquidade: estado do que se acha em todos os lugares; faculdade de se achar ao mesmo tempo em todos os lugares; multipresença; onipresença.

AULETE, Caldas. Diccionario contemporaneo da lingua portugueza. Lisboa [Portugal]: Parceria Antonio Maria Pereira, 1925, Disponível em: http://www.auletedigital.com.br/

Sobre este documento

Título
A Sacralização da Política
Tipo de documento
Texto acadêmico
Palavras-chave

Brasil Século XX História PolíticaEstado Novo

Origem

Alcir Lenharo. A Sacralização da Política. Campinas, SP: Papirus: Editora da Unicamp, 1986.

Créditos

Alcir Lenharo
O historiador Alcir Lenharo (1946-1996) formou-se da USP e atuou junto ao Departamento de História daUNICAMP até seu falecimento prematuro em 7 de julho de 1

Johann Moritz Rugendas

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Biografia
Johann Moritz Rugendas (Augsburg, Alemanha 1802 – Weilheim, Alemanha 1858). Pintor, desenhista, gravador. Desde criança, exercita o desenho e a gravura com o pai Johann Lorenz Rugendas II (1775 – 1826). Freqüenta o ateliê de Albrecht Adam (1786 – 1862), de 1815 até 1817, quando ingressa na Academia de Belas Artes de Munique. Incentivado pelos relatos de viagem dos naturalistas J. B. von Spix (1781 – 1826) e C. Fr. Ph. de Martius (1794 – 1868) e pela obra de Thomas Ender (1793 – 1875), vem para o Brasil em 1821, como desenhista documentarista da Expedição Langsdorff. Abandona a expedição em 1824, mas continua sozinho o registro de tipos, costumes, paisagens, fauna e flora brasileiros. Segue para Mato Grosso, Bahia e Espírito Santo e retorna ao Rio de Janeiro ainda no mesmo ano. Rugendas não realiza nenhuma pintura a óleo em sua primeira estada no Brasil, privilegia o desenho e ocasionalmente o colore à aquarela. De 1825 a 1828 vive entre Paris, Augsburg e Munique. Nesse período, dedica-se à publicação de sua obra Voyage Pittoresque dans le Brésil. Vai para a Itália em 1828, onde observa novas técnicas. O uso de cores e o esboço a óleo chamam sua atenção. Motivado pelo naturalista Alexander Humboldt (1769 – 1859), Rugendas viaja para o México em 1831, com projeto de viagem pela América com objetivo de reunir material para nova publicação. No México, começa a pintar a óleo, utilizando as técnicas assimiladas na Itália. A partir de 1834, excursiona pela América do Sul, passa pelo Chile, Argentina, Peru e Bolívia. Em 1845, chega ao Rio de Janeiro, onde retrata membros da família imperial e é convidado a participar da Exposição Geral de Belas Artes. No ano seguinte, parte definitivamente para a Europa. Em troca de uma pensão anual e vitalícia, cede sua coleção de desenhos e aquarelas ao Rei Maximiliano II, da Baviera.

Comentário Crítico
Johann Moritz Rugendas pertence à sétima geração de uma família de desenhistas, pintores, gravadores e impressores. É iniciado na atividade artística por seu pai, Johann Lorenz Rugendas II (1775 – 1826), diretor e professor da escola de desenho de Augsburg, ainda criança. Freqüenta o ateliê do pintor acadêmico de batalhas Albrecht Adam (1786 – 1862) até 1817, quando muda para Munique para estudar na Academia de Belas Artes de Munique com Lorenzo Quaglio II (1793 – 1869). A influência do ensino acadêmico será permanente em toda a produção do artista, que tende a valorizar o desenho em suas composições e a representação dos temas segundo a reelaboração ideal e universal da observação do particular.

Em 1821 o jovem artista assina contrato com o cônsul russo Langsdorff para tomar parte em sua expedição científica pelo Brasil como desenhista-ilustrador. Inicia-se assim a obra de um dos principais ilustradores do Novo Mundo no século XIX. Chega ao Rio de Janeiro em 1822, em pleno momento de efervescência política com o processo de independência do país. Problemas de várias ordens retardam por dois anos o início das viagens exploratórias pelo continente brasileiro. Apesar de viver isolado com os outros participantes da expedição na Fazenda Mandioca, de propriedade do cônsul, Rugendas vai constantemente à capital, fazendo amizade com os artistas da Missão Artística Francesa. Nesse período retrata a paisagem natural, a fauna, a flora, os tipos físicos e as vistas da cidade do Rio de Janeiro. Em 1824, partem finalmente em direção a Minas Gerais, passando por São Paulo. Rugendas logo se desentende com Langsdorff e abandona o grupo – posteriormente substituído por Adrien Taunay (1803-1828) eHercule Florence (1804-1879) -, continuando suas andanças sozinho. Não é conhecido o itinerário exato seguido pelo artista, mas pelos desenhos realizados sabe-se que passa por São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Espírito Santo, Bahia e Pernambuco. Volta ao Rio de Janeiro em 1825, partindo logo em seguida para a Europa com a intenção de publicar o conjunto de desenhos realizados.

Cem litografias com base em desenhos brasileiros de Rugendas são publicadas no volume Voyage Pittoresque dans le Brésil (edição bilíngüe francês-alemão, 1827/1835). Pensado como livro de viagem dirigido ao grande público, conta com a participação de 22 litógrafos e de Victor Aimé Huber na preparação dos textos . Até hoje o livro é considerado um dos mais importantes documentos iconográficos sobre o Brasil do século XIX. Contém as seguintes subdivisões: paisagens, tipos e costumes, usos e costumes dos índios, a vida dos europeus, europeus na Bahia e em Pernambuco, usos e costumes dos negros. Entretanto, é preciso notar que a obra brasileira de Rugendas nem sempre é uma cópia fiel da realidade. As ilustrações de plantas e animais obedecem a um caráter minucioso e objetivo; nesses casos o artista desenha sob a tutela de naturalistas. Com relação às paisagens, Diener fala de “uma imagem fiel do entorno natural”, apreendido mais em sua unidade do que nos detalhes. Com exceção, naturalmente, das gravuras em que o litógrafo recria uma outra imagem com base no desenho original (como a prancha Entrada da Barra do Rio de Janeirogravada pelo artista romântico P. Bonigton). Mas são nas cenas da vida cotidiana da população brasileira da época e nos retratos etnográficos que percebemos o artista empenhado em criar imagens idealizadas, mais programáticas do que reais. Os corpos de negros e índios são representados em estilo clássico, os traços suavizados e europeizados, bem como é amenizada a situação dos escravos (o trabalho é mostrado como atividade quase lúdica em pranchas como Preparação da Raiz de Mandioca e Colheita de Café, por exemplo). Já na época de sua publicação, Voyage Pittoresque recebe críticas por seu caráter pouco documental. Mas alcança êxito junto ao grande público, circulando no Brasil em edição francesa com grande sucesso, talvez por causa da maneira benevolente com que retrata a sociedade oitocentista.

Permanece na Europa até 1831. Consegue o apoio do naturalista, Alexander von Humboldt (1769 – 1859), cuja influência o leva à decisão de tornar-se “o ilustrador dos novos territórios do mundo”. Planeja uma segunda viagem ao continente americano (1831 a 1847), passando pelo México, Chile, Peru, Uruguai, Argentina e Brasil. Para levar a cabo essa tarefa, busca aperfeiçoar sua pintura. Familiariza-se com as correntes artísticas avançadas (Neoclassicismo eRomantismo) e permanece uma temporada em Roma estudando. De 1829 até sua partida, pinta telas de temas brasileiros com base em seus desenhos. São espaços idílicos que refletem idéias correntes na época sobre o Novo Mundo como paraíso terreal e habitat do bom selvagem.

O conjunto gráfico e pictórico realizado por Rugendas em seus anos de vivência na América representa um dos materiais fundamentais de conhecimento da sociedade e da paisagem americana no século XIX. Em sua segunda passagem pelo Rio de Janeiro (1845-1846) encontra uma extraordinária acolhida por parte da coroa brasileira, que lhe encomenda diversos retratos. Participa das Exposições Gerais de Belas Artes (1845 e 1846) a convite de Félix Taunay (1795 – 1881). Retorna à Europa sem voltar aos assuntos de sua primeira experiência brasileira. Vende o conjunto de sua obra para Maximiliano II da Baviera em troca de pensão vitalícia, perdendo-a anos depois por não realizar produção pictórica com base em seus trabalhos americanos, tal como havia acordado. Morre em situação financeira não muito favorável e amargurado pela certeza do fracasso artístico.

Holler Marcos. “Os instrumentos musicais no processo de expulsão dos jesuítas do Brasil em 1759”

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“Autos de Inventario e Sequestro feito nos bens, que se acharam na Aldeia de Mboy [Embu], termo da cidade de São Paulo administrada pelos Padres da Companhia da dita cidade a que procedeu o Doutor Ouvidor geral João de Souza Filgueiras por ordem do Ilustríssimo, e Excelentíssimo Senhor Conde de Bobadella. – 2 de dezembro de 1759 – (fragmento)

Um órgão pequeno;
um manicórdio,
um baixão,
duas harpas,
uma caixa com vários papéis de solfa;
duas rabecas novas com sacos de baeta vermelha e suas caixas;
uma rabeca com seu saco de linhagem;
um rabecão novo com sua caixa;

(…)

três bancos no coro; dois de espaldar e um pequeno do órgão;
uma caixa, em que estão nove saiotes e outros enfeites das danças dos carijós.”

Sobre este documento

Título
Autos de Inventario e Sequestro
Tipo de documento
Documento Legal
Palavras-chave

Companhia de Jesus Brasil ColôniaIndígenas

Origem

Holler Marcos. “Os instrumentos musicais no processo de expulsão dos jesuítas do Brasil em 1759”. Em pauta. Porto Alegre: v 16, n. 27, julho a dezembro de 2005. Disponível em:
http://seer.ufrgs.br/index.php/EmPauta/article/view/9400/5433

Créditos

Marcos Holler

RUGENDAS

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Rugendas retratou o Palácio Velho de Ouro Preto, mas o atento pesquisador pode ter visto mais: a imagem do escravo-monarca.

Na prancha ‘Fête de Ste. Rosalie’, executada a partir de desenhos feitos entre 1821 e 1825, haveria uma representação da festa em homenagem a Santa Efigênia, de quem Chico Rei seria devoto.

Certa vez, estudando a devoção por São Benedito em Angra dos Reis, estava refletindo sobre algumas páginas de Viagem no interior do Brasil, do naturalista austríaco Johann Emanuel Pohl (1782-1834). Ele visitou a cidade fluminense na segunda-feira de Páscoa de 1818, participando das festas dos negros para aquele santo. Alguns meses depois, em Traíras, Goiás, assistiu a outra festa de negros, em louvor a Santa Ifigênia. Decidi inserir um resumo de ambos os relatos num artigo que estava escrevendo sobre São Benedito para uma revista italiana. Como precisava de ilustrações adequadas, lembrei-me de uma litografia de Rugendas (1802-1858) sobre uma festa do Rosário num lugar não identificado.

Comprei O Brasil de Rugendas (edição italiana), com todas as litografias de Voyage Pittoresque dans le Brésil, derivadas de desenhos executados in loco entre 1821 e 1825. Ainda não sabia que a litografia original não era colorida. Mandei escanear aquela reprodução, a penúltima, para depois enviar o arquivo à revista italiana. Reparei que a litografia trazia uma legenda em francês: Fête de S.te Rosalie, Patrone des Nègres. Não me lembrava dela porque fica sempre omitida, ao pé da cena reproduzida em livros em museus. Fiquei surpreso com a coincidência, por ser Santa Rosália a padroeira de Palermo, capital da Sicília, onde, em 1589, morreu São Benedito.

Notei que atrás do grupo havia uma igreja numa elevação, parecida com o Morro da Cruz em Ouro Preto. Reza a lenda que aquela igreja, chamada também de Nossa Senhora dos Pretos do Alto da Cruz, foi construída entre 1733 e 1745, e foi paga pelos escravos com o ouro subtraído da Mina da Encardideira. Deduzi que havia um erro na legenda (S.te Rosalie em lugar de S.te Iphigénie), e que a litografia representava a festa dos negros de Ouro Preto para Santa Ifigênia, a mesma festa, até nos pormenores, vista e relatada em Traíras por Pohl em 1819.

Para confirmar a identificação, precisava de outros pontos de referência: em primeiro lugar: o casarão parcialmente visível à esquerda. Procurei um guia do Brasil, fui ao mapa de Ouro Preto. Virei o mapa 90 graus, no sentido anti-horário, para colocar a igreja de Santa Ifigênia na posição em que estava na litografia. Dei-me conta de que o ‘casarão’ ocupava a posição topográfica do Palácio Velho de Ouro Preto.
Comecei a olhar as personagens com outros olhos.
Um dos dois cavaleiros que assistiam à festa parecia ser o mesmo Rugendas. Notei que o homem ao centro, em primeiro plano, vestido só com um trapo vermelho, carregando uma bandeira e com um menino à esquerda, não fazia parte do grupo: olhava para os demais, junto com os cavaleiros e o menino, e parecia pertencer a uma época anterior. Fiquei arrepiado. O grupo tinha sido retratado no mesmo local da Mina da Encardideira, adquirida, segundo a lenda, pelo ex-escravo Chico Rei, depois de ter resgatado seu filho. Pensei: o local é uma das bocas daquela mina; o homem com a bandeira é uma alegoria do mesmo Chico Rei, tendo o filho à esquerda e apresentando os dois estrangeiros a festa de Santa Ifigênia, padroeira dos negros de Ouro Preto. Concluí: desse modo, a lenda de Chico Rei, que dizem ter sido inventada no começo do século XX, tem de ser antecipada em 80 anos, e será lenda ou realidade?

No final de semana, fui a Ouro Preto. Contratei o melhor guia local e lhe pedi que me conduzisse ao que sobrou do Palácio Velho, numa propriedade particular. Fui bem recebido, sem que me perguntassem a razão da visita. Desci até a horta e fotografei as ruínas da fachada, a igreja e algumas araucárias. Na segunda-feira, em São Paulo, comprei outro livro: Rugendas e o Brasil, de Pablo Diener e Maria de Fátima Costa. Li que ele havia visitado Ouro Preto em 1824. Fiz um slide com o local visto no Google Earth, a litografia e a justaposição das fotos feitas em Ouro Preto. Passei um dia escrevendo uma ficha com interpretação inédita da litografia. A ‘diversão’ estava encerrada. Meses depois, a comissão [de uma revista] me convidou para escrever um artigo sobre o tema. Assim tive a oportunidade de desenvolver a ideia inicial.

Rugendas teve que assistir à festa entre novembro de 1824 e fevereiro de 1825. O grupo retratado é formado por mais ou menos trinta personagens, reunidos ao redor do rei e da rainha, no centro de um ritual apresentado aos viajantes europeus num espaço simbólico. Alguns homenageiam o rei e a rainha, outros quatro estão tocando instrumentos; um quinto personagem marca o tempo com uma folha de palmeira, atributo de Santa Ifigênia. Outros descem correndo da igreja, ladeira abaixo. Dos três estandartes, o primeiro à esquerda tem um sol radiante; o do meio tem meias luas replicadas; o terceiro, algumas linhas curvas que lembram o manto carmelita da Santa Ifigênia, enquanto o sol e a lua têm correspondência na simbologia introduzida pelo carmelita José Pereira de Santa Anna em 1735, na qual comparou Santo Elesbão com o sol e a Santa Ifigênia com a lua.

O personagem em primeiro plano é a base lógica da composição. Enfrenta o grupo arqueado, em eixo com os cavalos. À esquerda, há um menino representado de costas, olhando para o grupo com ar alegre e maravilhado. Os dois ficam separados do grupo da irmandade, e isolados por algumas pinhas caídas de araucárias. Tanto o grupo em festa como os cavaleiros os ignoram totalmente: só o cavalo preto parece perceber a presença deles. Portanto, a cena aparece como uma representação alegórica: Chico Rei, devoto de Santa Ifigênia, que com seu filho menino presencia a festa conga para a santa padroeira dos negros de Ouro Preto. Na época em que a igreja foi construída no Morro da Cruz, São Benedito não podia ser titular de um templo por não ser ainda ‘santo verdadeiro’ – só seria canonizado em 1807.

Chico Rei teria sido um rei do Congo. Sequestrado com a família na primeira metade do século XVIII, supostamente embarcou num navio negreiro, aportado no Brasil como escravo, chegando a Vila Rica mais ou menos em 1740, só com o filho: a esposa e a filha não haviam sobrevivido à viagem. Assumida a nova condição, batizado e destinado à lavra nas minas de ouro, com suas economias, teria comprado sua liberdade e depois a do filho. Após adquirir a Mina da Encardideira, em vias de esgotamento, e multiplicar sua produção, compraria a liberdade de muitos escravos do grupo. Teria se estabelecido no Palácio Velho, antiga residência dos governadores portugueses. Chico Rei enriqueceria a ponto de financiar a construção da Igreja de Santa Ifigênia, onde, anos depois, teria sido coroado rei, com a aprovação do bispo de Mariana e a concordância do governador português.

A prova de que se trata de Chico Rei na obra é o emblema em claro-escuro na bandeira: um perfil feminino com uma folha de palmeira na mão direita. Chico Rei, devoto de Santa Ifigênia, carrega a bandeira com a imagem da santa em presença dos viajantes estrangeiros – este ato o identifica como o financiador da Igreja de Nossa Senhora do Morro da Cruz.

Fico grato à memória do grande José Mindlin, que me permitiu examinar e fotografar de perto aquele detalhe numa primeira edição da sua biblioteca. A prancha colorida, na edição moderna, havia alterado o claro-escuro da bandeira. Rugendas teve que elaborar o desenho final na Europa, com base em alguns trabalhos preparatórios executados ao vivo, usando a alegoria, na sua reflexão sobre a escravatura, como ‘filtro’ da complexidade do Brasil.
O historiador Robert Slenes, analisando a quarta divisão do Voyage – sobretudo a prancha inicial, Nègres a Fond de Calle -, chegou à mesma conclusão: trata-se de uma viagem à procura de alegorias.

Dois séculos e meio nos separam de Chico Rei. O historiador Diogo de Vasconcelos (1843-1927) foi o primeiro a tratar o tema por escrito, em 1904, numa nota da História Antiga de Minas. Foi acusado de ter inventado tudo. Em primeiro lugar, por não ter citado fontes escritas. Em segundo, por ter dado a impressão de ter saudade da época em que os escravos eram humildes e submissos. Em terceiro, por ter apresentado Chico Rei como um homem do Rei e homem de Deus, precursor do cooperativismo e do cristianismo social.

Minha hipótese transfere a origem da lenda para antes da época e das circunstâncias históricas em que os africanos de Vila Rica elaboraram as suas tradições. Os escravos das minas veneravam Chico Rei como os gregos da época clássica veneravam os heróis fundadores das colônias. Como afirma Marina de Mello e Souza, em Reis negros no Brasil escravista: ‘Representando um mito, um herói-fundador, o rei congo atribuía às comunidades que o elegiam uma identidade que as ligava à África natal, ao mesmo tempo em que abria os espaços possíveis no seio da sociedade escravista’.”

Sobre este documento

Título
As pistas do monarca do Congo
Tipo de documento
Artigo de Revista
Palavras-chave

Minas Gerais HistoriografiaMetodologia Viajantes

Origem

Alessandro Dell’Aira. Revista de História, 8 de dezembro de 2010. Disponível em: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/perspectiva/as-pistas-do-monarca-do-congo

Créditos

Alessandro Dell’Aira